
Canetinhas emagrecedoras vs. vinho
Os remédios para emagrecer estão mudando a relação das pessoas com o álcool e o vinho aparece como a bebida mais cortada entre os usuários que reduziram o consumo.
Os medicamentos da família GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, agem no sistema de recompensa do cérebro reduzindo não só o apetite, mas o desejo por álcool. Uma pesquisa da consultoria Ernst & Young mostrou que entre os usuários que reduziram o consumo de álcool após iniciar o tratamento, 52% cortaram o vinho, ante 43% que cortaram cerveja e 40% que cortaram destilados.
Um estudo da American Medical Association com mais de 14 mil pacientes mostrou que 45,3% dos usuários relataram queda no consumo depois de iniciar o tratamento. Por enquanto, não temos pesquisas sobre o mercado brasileiro.
O impacto já aparece nos resultados divulgados pelas empresas abertas. A Diageo viu suas reservas de estoque subir de 34% para 43% das vendas anuais entre 2022 e 2025. Na Rémy Cointreau, o estoque nos tonéis equivale ao dobro das vendas anuais. O Brazil Journal definiu o acúmulo como "sem precedentes", citando GLP-1 entre os fatores, ao lado da queda do consumo na China e do aumento do custo de vida.
Não é só o GLP-1. O Morgan Stanley alerta que há uma mudança cultural mais ampla em curso: o consumo de álcool nos EUA caiu ao menor nível desde 1939, segundo o Gallup. O remédio está acelerando uma tendência que já existia.
A pergunta que a indústria ainda não respondeu: se o remédio reduz o desejo, como você convence alguém a querer uma segunda taça?
(Fonte: Brazil Journal)