
O maior importador de vinhos do Brasil não tem CNPJ
Toda semana tem apreensão. Porto do Rio, divisa com a Argentina, interior do Paraná. Na semana passada, enquanto você lia o noticiário, a Polícia Federal e a Receita Federal estavam retirando de circulação centenas de garrafas de vinho importado sem nota, sem documentação e sem imposto. É rotina.
Mas o dado é mais pesado do que qualquer operação isolada. Segundo pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), com coautoria de Marcelo Copello, um dos críticos de vinho mais influentes do Brasil, o mercado ilegal de vinhos no Brasil supera os R$ 2 bilhões por ano, considerando impostos não arrecadados e preço de varejo. Para ter noção da escala: é um volume maior do que tudo que o Brasil importa legalmente de Portugal, França e Itália juntos. Os órgãos de segurança estimam apreender entre 5% e 10% do que entra.
Quem trabalha no setor conhece o fenômeno há anos. O "contatinho do WhatsApp", aquele número salvo no celular que entrega vinho na porta de casa, sem garantia de procedência, sem rastreabilidade, sem imposto. Preço atrativo garantido, considerando que até 60% do preço de uma garrafa legal é imposto.
A equação ainda não tem solução.
(Fontes: IDESF / Marcelo Copello)