
O fim da garrafa pela metade
Você é daquelas pessoas que adiam abrir uma garrafa mais especial porque sabe que não vai tomar tudo? Pois é, o Coravin resolve esse problema. É um equipamento que fura a rolha da garrafa com uma agulha fina e tira o vinho por ali, deixando passar gás argônio no lugar para impedir a entrada de ar. O furo é imperceptível, a rolha se fecha sozinha, e a garrafa pode ser guardada por meses sem perder qualidade. Eu tenho um e gosto muito, porque cada vez mais bebo menos e quero tomar vinhos melhores. E o mercado vai no mesmo caminho: as vendas no Brasil avançaram 52% em 2025, e a projeção para 2026 é de mais 60%, segundo Daniel Buarque, em matéria publicada na Bloomberg Línea.
O Coravin existe desde 2013. Foi inventado pelo americano Greg Lambrecht, engenheiro biomédico formado pelo MIT, que aplicou em vinho a tecnologia das agulhas que ele desenvolvia para quimioterapia. A ideia surgiu quando a mulher dele engravidou e parou de beber, e Greg ficou com uma adega cheia sem ninguém pra dividir as garrafas. Levou 11 anos para sair do papel. No Brasil, o aparelho chegou oficialmente em 2018, e desde então foram 32 mil unidades vendidas. A aposta agora é em hotéis, restaurantes e bares: um lugar que oferece vinho de R$ 500 em taça, sem abrir a garrafa toda, permite que o cliente experimente um rótulo que dificilmente compraria por garrafa inteira.
Isso conecta direto com o crescimento do super premium, que subiu 15% no Brasil em 2025, e o Coravin é justamente a ferramenta que torna esse crescimento possível. Hoje, 1.500 pontos profissionais ativos no país já consomem 70% das cápsulas vendidas. O equipamento custa cerca de R$ 2 mil, e cada cápsula de gás argônio sai por cerca de R$ 100, e rende até 15 taças. O chato é exatamente isso, ter que repor as cápsulas com alguma frequência. Mas pra quem quer tomar uma tacinha sem comprometer a garrafa, ainda vale a pena.
(Fontes: Bloomberg Línea, Daniel Buarque | Decanter)