
Bordeaux ressuscitou o clarete, e o Brasil já faz ótimos
Antes de tudo, o que é um clarete? É um tinto propositalmente leve, de pouco tanino e corpo, quase no meio do caminho entre o rosé e o tinto, feito pra beber fresco, muitas vezes gelado. O segredo está na vinificação: usa uva tinta, mas deixa o suco pouco tempo em contato com as cascas, horas em vez de dias. Como é a casca que dá cor e tanino, tirando o suco cedo o vinho sai leve e claro, mais encorpado que um rosé e mais macio que um tinto. O nome é antigo: "claret" era como os ingleses chamavam, séculos atrás, os tintos jovens e claros que importavam de Bordeaux.
Bom, a novidade: a associação dos produtores das denominações de Bordeaux ressuscitou o clarete como categoria regulamentada. A primeira safra, 2025, já rendeu o equivalente a 2,2 milhões de garrafas, com cerca de 40 produtores dentro, incluindo nomes grandes como Mouton Cadet e Calvet. O motivo é sobrevivência: o consumo de tinto cai e a base de bebedores envelhece, e Bordeaux foi buscar o jovem onde ele está. É a versão vida real daquilo que a gente contou na #21, quando a Gen Z apareceu tomando tinto gelado nos wine bars.
Esse estilo anda ganhando força no Brasil. A gente tem tradição de clarete, e agora ele está voltando repaginado e premium. A Larentis, de Bento Gonçalves, lançou o Clarete de Verano, um corte de Malbec com Marselan. E a turma dos naturais tem gente muito boa no clarete também, como os da Eduardo Mendonça Vinhos Livres, com alguns rótulos na Vibrana, que eu mesma já provei.
(Fontes: The Drinks Business, Patrick Schmitt MW, 04/ago | Mesa de Bar, sobre o Clarete de Verano da Larentis | Eduardo Mendonça Vinhos Livres / Vibrana | Boletim Tanin #21)