
Mercosul-UE entra em vigor e o vinho europeu vai ficar mais barato, mas não agora
Depois de 26 anos de negociação, o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta quinta-feira, 1º de maio. A tarifa de importação de vinhos europeus engarrafados, hoje em 27%, será reduzida de forma escalonada até chegar a zero. O prazo estimado pelo Ministério do Desenvolvimento: entre 8 e 12 anos.
O consumidor não vai sentir nada amanhã. O motivo é estrutural. A tarifa de 27% é só a primeira camada. Sobre ela incidem, em cascata, IPI médio de 20%, PIS de 1,65%, COFINS de 7,6% e ICMS médio de 26%. Segundo o IBPT, a carga tributária total pode representar até 60% do preço final de um vinho importado. Zerar a tarifa melhora, mas não resolve o nó inteiro.
Quando a queda começar, não será igual para todos os rótulos. Num vinho de R$ 200, o preço pode cair para R$ 150. Num vinho mais barato, a variação na gôndola deve ser de R$ 5 ou R$ 6. A estimativa do setor, segundo o CEO do Grupo Wine à Bloomberg Línea, é de queda de até 20% quando a alíquota chegar a zero.
O impacto mais imediato não é de preço, é estratégico. Importadoras já estão revisando portfólios e fortalecendo parcerias com produtores europeus. Vinhos chilenos e argentinos, que hoje dominam o mercado brasileiro pela escala e pelo custo, podem perder espaço para vinhos europeus de faixa intermediária assim que as primeiras quedas começarem. Para os produtores brasileiros, é um sinal de alerta que chega com prazo.
(Fontes: Agência Brasil, Agência Senado e Bloomberg Línea)